segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Inteligência e estilo para mulheres

O que a mulher de TPM carrega na bolsa? Um estojo de maquiagens, uma carteira com pelo menos um cartão de crédito e um cartão de visitas do salão de beleza, a cartela do anticoncepcional e quem sabe até uma embalagem de preservativos, um par de ingressos para uma peça de teatro hoje à noite, um livro para os momentos livres? Provável.

Com essa lista de coisas, a gente pode ter uma idéia de quem é a mulher de TPM. Não, não é a mulher irritadíssima ou ultra-depressiva de quem estamos falando. Essa coluna não tem nada a ver com "aqueles dias" que vêm nos visitar todo santo mês, pobres mulheres mortais.

TPM aqui é uma revista, versão feminina da Trip – o nome por trás da sigla é auto-explicativo: Trip Para Mulheres. Ainda que estereótipos não sejam lá muito legais, a lista de coisas que a mulher de TPM carrega na bolsa pode ser útil no traçado de seu perfil. E tem mais dois adjetivos que eu usaria nessa definição: inteligente e estilosa.

É por conta do primeiro adjetivo que a mulher de TPM se interessa por leituras um tanto mais abrangentes que aquelas que figuram na lista de best sellers. Provavelmente ela não tem muito tempo sobrando, porque há uma carreira a cuidar - isso é importante: a leitora da TPM, bem sucedida, pensa muito no profissional. Mas nem que seja uma ou duas páginas numa brecha no escritório ou então antes de apagar a luz pra dormir, ela lê sempre. E não lê só auto-ajuda, não.

Tudo porque a mulher de TPM gosta de ser culta e bem informada. Além do livro, tem o teatro, o cinema e a música. E viagens. Claro, viagens! Se já não é, ela pelo menos sonha em ser bastante viajada – e conhecer lugares exóticos e inusitados, por que não? Como a Croácia, por exeplodestino que ilustra as páginas da TPM número 79, de agosto. Tudo isso é favorecido, obviamente, por uma conta bancária generosa - afinal a mulher de TPM compra sua revista todo mês por expressivos oito reais e meio. E e ela quer pegar dicas de como abraçar o sucesso com outras mulheres poderosas que circulam pela mídia, pela música, pela tevê.

Pode ser que ela tenha uma aliança dourada no anular esquerdo, mas provavelmente é coisa recente. É que a mulher de TPM é jovem, deve ter de 25 a 30 e poucos anos, e antes de mais nada ela pensa em si própria. Por isso ela não deve ter filhos ainda, está vivendo a fase áurea de sua juventude e, no máximo, tem curtido o mar de rosas que banha os primeiros tempos de um casamento.

E o segundo adjetivo – estilosa, com o perdão da gíria – é porque ela sabe (ou quer) estar bem arrumada até pra comprar o pão na padaria. Sem exageros, sem aberrações, ela sabe o look certo para ocasiões mil. E nem só a roupa conta: também pesa – e como! – um esmalte na unha, uma pele hidratada, um cabelo bem cuidado. Essas coisas que quer toda mulher. Detalhe: a mulher de TPM, ao contrário da mulherada de outras publicações, se veste mais para si do que para eles.

E ela quer sim estar em forma; claro que não agrada nem um pouco aquela gordurinha ou aquela celulite saltando e marcando aqui ou ali, mas – quer saber? – ela não liga. Sabe que é coisa que toda mulher tem e, por isso, não fica atrás da dieta do chá, das ervas, do carboidrato, da luz, ou seja lá do que for. Mas se der para trocar a mussarela do lanche por um queijo branco, ou então o pão francês por um integral, por que não?

E vá lá, como ninguém é de ferro, mulher de TPM também quer sexo, sim! Ela quer ver fotos bacanas de um cara boa-pinta sem camisa nas páginas da revista. Mas tudo sem cair na vulgaridade, por favor. Mulher de TPM prima é pela beleza, desde a estética até a editorial.

A revista TPM é, em poucas palavras, um retrato da mulher do século 21 – a anti-Amélia, a que queimou sutiãs talvez, a que trabalha para pilotar seu próprio carro e não mais um simples fogão, a que gosta de um bom tanquinho, mas em barriga de homem e não na lavanderia.

É a mulher moderna que, no entanto, não deixou de lado as vontades, as neuras e os probleminhas da mulher de sempre: o dia do cabelo ruim e da espinha na testa, a preguiça de lavar aquela louça, o ciúme inevitável daquela “coleguinha” dele, a fofoca e a língua afiada na roda de amigas – e como poderíamos esquecer? – a boa e velha TPM, essa sim a “daqueles dias”.

Nenhum comentário: